Foto: Rodrigo Silveira / Folha1

Foram seis anos, um mês e 17 dias de Dartagnan Fernandes à frente do Goytacaz Futebol Clube. Mais de 2230 dias, como o próprio gostava de dizer, com a caneta na mão.

Até que na noite desta sexta-feira (8), a gestão teve, se não um adeus, ao menos um até breve. Após sofrer forte pressão interna mediante à fase que vive a agremiação, o então mandatário alvianil decidiu se licenciar do cargo.

Em assembleia geral realizada na sede do clube, Dartagnan oficializou o seu afastamento do cargo por 45 dias, alegando problemas de saúde.

Quem assume a cadeira é Antônio Carlos Soares Amaral, atual presidente do Conselho Deliberativo. No mesmo ato, o Conselho determinou o fim da parceria com o grupo investidor que vinha atuando no futebol do Goyta.

A tendência é que sejam convocadas eleições para que um novo mandato se inicie no início de 2022.

Saldo

Dartagnan assumiu em agosto de 2015, em meio a um cenário turbulento, marcado por renúncias de presidentes e dificuldades financeiras.

Já na primeira temporada, brigou até a última rodada contra o rebaixamento, e contou com perda de pontos de outro clube para se salvar. Os atrasos de salários foram constantes e a gestão começou a acumular novos processos e dívidas trabalhistas.

Em 2017, o Goytacaz cogitava não disputar a Segundona Estadual. Até que uma parceria intermediada por um torcedor e sócio do Alvianil, mudou todo o cenário. A equipe foi campeã do 1° turno, conquistou o acesso à Seletiva da Série A e o título da Série B.

Passou dois anos tentando avançar da fase preliminar à elite estadual, até que na segunda tentativa, desceu de volta à 2ª divisão.

Em 2019, apesar da estrutura precária e os salários atrasados durante toda a campanha, o Goyta chegou às semifinais, disputando o acesso.

Não aconteceu. E em 2020, uma campanha caricata dentro e fora de campo rebaixou o time da Rua do Gás à 3ª divisão do Rio de Janeiro.

Mais que isso, somente entre 2019 e 2021, a instituição somou cerca de 50 novos processos trabalhistas. Como resultado do saldo negativo, a Justiça do Trabalho determinou (aqui) em agosto deste ano a penhora e o leilão do estádio Ary de Oliveira e Souza.

De volta à terceirona após onze anos, o Goytacaz chegou ao ápice da pior fase em sua história. Em cinco jogos, o clube alcançou apenas dois dos 15 pontos disputados.

Foi derrotado por 3 a 0 pelo modesto Nova Cidade e goleado por 4 a 0 pelo Olaria. Terminou o 1° turno com a pior campanha geral.

E teve o nome ganhando repercussão nacional e internacional, sob suspeita de manipulação de resultados (veja aqui e aqui).

É neste cenário que Dartagnan Fernandes cumpre o que chegou a cogitar algumas vezes e se afasta do da gestão do clube.

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